sábado, 15 de outubro de 2011

Educação

CONSELHO TUTELAR

Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgXrXhew7WcmXhY_24JTRZX9dSk9RuVEXM9q_pBmF2oZVbmyU6chgFLAwbpObqS8qAnl1weGSPD8w41EqTB1DxlhEERqbMmqnAdP2V0YDihSzgmVEJdEbEHqmr4TlCMJL0NUCiZq0eFh_I/s320/conselho_tutelar.jpg

Estivemos em visita ao prédio onde esta instalado o Conselho Tutelar de São Bernardo do Campo, localizado na abrangência II.
Fomos recebidas pelo conselheiro Geraldo Pimenta, segundo o qual nos informou que para ser conselheiro não é exigido curso superior, tal nomeação da-se através de indicação no qual são eleitos para assumir este cargo e sua duração é de aproximadamente dois anos, porém este prazo pode ser prorrogado.
Diante da pesquisa de nosso grupo, percebemos que este órgão desempenha um papel importantíssimo na defesa e na proteção da criança e do adolescente, cujo objetivo  está diretamente ligado à proteção em todos os sentidos. E para que isto ocorra de fato é  necessário que haja uma ação conjunta, entre o Conselho Tutelar, as escolas e demais entidades que trabalham com crianças e adolescentes e também da sociedade.Isto tem um único intuito o de preservar e garantir o direito de cidadão, que muitas vezes acabam sendo desrespeitados simplesmente por serem pessoas indefesas e frágeis.
Nosso trabalho foi gratificante, pois tivemos o privilégio de conhecer de perto pessoas comprometidas com seriedade em defesa dos que necessitam. Percebemos ainda o carinho e a dedicação dos Conselheiros Tutelares, pois desempenham suas funções com garra e se comprometem de fato com a causa. Este trabalho não é apenas superficial, pelo contrário, exige que estes conheçam  as causas das ocorrências e não só o efeito. Queremos aqui manifestar o nosso agradecimento e a nossa admiração á estes profissionais que, mesmo enfrentados alguns problemas pela caminhada, jamais desistem do ideal que é a defesa e a proteção ao menor e ao adolescente. Nosso agradecimento em especial ao Conselheiro Geraldo que disponibilizou parte de seu precioso tempo e levou algumas integrantes do grupo em seu veículo para conhecerem as atuais dependências onde funciona o órgão, assim como para conhecerem as futuras dependências do Conselho, no espaço do SEDESC (centro de SBC).                                                    
Visando ampliar o espaço e mais do que isso, preocupando-se com a acomodação das crianças e das famílias, quando estas precisarem de atendimento. O novo local contará inclusive com uma brinquedoteca, para as crianças interagirem, enquanto os familiares são atendidos e orientados.      


ENTREVISTA: CONSELHEIRO GERALDO PIMENTA


Perguntas e Respostas:

O que é o Conselho Tutelar e qual sua função?
O Conselho Tutelar é um órgão autônomo, criado pela lei 8.069 de 13/07/1990 (Estatuto da criança e do adolescente),em nosso Município atualmente temos três Conselhos Tutelar, instalados no mesmo endereço: Av. Armando Ítalo Setti, 50 – Centro, e em breve mudaremos para as dependências da SEDESC. O Conselho Tutelar tem como função defender os direitos das crianças e adolescente previstos no ECA. Cada conselho é composto por cinco conselheiros, que são eleitos pela sociedade para zelar e fazer cumprir o ECA, portanto toda situação de ameaça ou violação dos direitos das crianças ou dos adolescentes cabe a intervenção dos Conselheiros Tutelar.

O Estado diz sobre como o Conselho Tutelar deve atuar?
O Estado ou o Gestor do nosso Município não deve dizer como devemos atuar, pois somos um órgão autônomo e independente, e todas as atribuições do Conselheiro Tutelar estão estabelecidas no Estatuto da Criança e do Adolescente.Portanto,cabe ao Gestor manter o Conselho Tutelar com estrutura e condições para que cada Conselheiro exerça suas  atribuições.Por outro lado, também somos  fiscalizados  pelo  Ministério Público. 

Em quais áreas atuam, e como agem na sociedade?
Atuamos em toda e qualquer área que houver uma criança ou adolescente com seus direitos violados ou ameaçados, e devemos ter a sociedade como parceira, pois somos eleitos por esta sociedade e devemos prestar contas a mesma. E tambem a cada seis meses informamos através de uma prestação de contas, que é publicada no Jornal Noticias do Município.

Por meio do Conselho Tutelar se consegue vaga para as crianças que estão fora da escola?
Sim por meio, e através do Conselho Tutelar conseguimos as vagas para as crianças e nossos adolescentes, pois o fato de termos crianças ou adolescentes fora da escola é violação de direitos e nesses casos, quando chegam notícias de criança ou adolescente fora da escola, encaminhamos ofício para a Secretaria de Educação (Ensino Municipal) ou Diretoria de Ensino (Ensino Estadual), informando tal fato. Caso o Conselho Tutelar não seja atendido, cabe representação ao Ministério Público.Devemos salientar que está tramitando na Vara da Infância e Juventude, processo movido através do Conselho Tutelar, contra a Secretaria de  Educação ou o  Gestor,  com relação  a falta de  vagas na creche e na educacao infantil  em nosso  Município.

Qual a problemática das crianças de zero a seis anos?
 Na realidade é de zero a cinco anos, pois conforme a lei crianças que completarem cinco anos até 31 de março terão direito garantido na primeira série do Ensino Fundamental, e nosso maior desafio é com relação as crianças  de  zero  a  cinco  anos, pois  nosso  Município ainda não esta conseguindo contemplar todas as vagas necessárias, ja que a maior  parte  de  nossas  criança   ainda estão  com seus  direitos  violados,  e  este  fato  deu  origem  ao  processo  acima  mencionado.

É possível não se envolver emocionalmente com os casos de violência infantil?
Não é possível, não se envolver emocionalmente com casos de violência contra criança, violência tais como suspeita  de  abuso, violência   física  e  psicológica  e  outras,  mas  temos  que  agir  com  equilíbrio,  temos  que  agir  com a  razão  e  não  com a  emoção, as  vezes  os  nossos  princípios  morais  e  éticos, não servem, pois  cada  pessoas  é  um ser  diferente , mesmo se  não  concordar,  temos  que  respeitar,  e  o respeito  é  a base  de todo  e  qualquer  atendimento, e   nossas  atribuições  estão  bem claras  no  estatuto da criança e do adolescente, devemos  acolher  a  família, e  as  vezes  nos  colocar  no lugar desta  mãe  ou deste  pai, que  comete  a  violência, precisamos orientá-los  e  encaminhá-los  para  um programa  de atendimento,  pois  o  Conselho  Tutelar  é  um  órgão  para  ajudar  e  não para  punir.

Com relação ao Artigo publicado no Diário do Grande ABC, no dia 10 de fevereiro de 2011 no caderno sete cidades com o título “Faltam 22 mil vagas no ensino Infantil”. De acordo com esse título o Conselho tutelar tem atuado neste caso? E qual as providencia para diminuir esse índice?
Com relação  a  publicação  do  Diário estes  números  não  é  o que  temos  de informação,  não  sei  qual  foi  a fonte  do  Jornalista para chegar a estes números, houve  um  censo  promovido  pela  Secretaria de Educação, em  abril  de  2010, para  apurar   a   quantidade  de  crianças  não  atendidas pela  rede, e  o resultado  foi  que,  faltavam  na  ocasião  12.000  vagas,   e  nesse  período  até  o momento  houve  várias inaugurações  de  algumas  EMEBs.
Cabe  salientar  que  em  2006  tínhamos  faltando  6.000  vagas, e este fato deu origem  a  uma representação   ao  Ministério Público, por parte  do  Conselho Tutelar, contra  a  Secretaria de  Educação  (Gestor),  neste  período  houve  diversos   contatos  entre  Ministério Público, Conselho Tutelar  e  Secretaria para  buscarem  solução, pois em  São Bernardo nos  últimos  anos,   houve  um crescimento  muito  grande  da  população, e   um percentual muito  grande de  nosso  Município  esta dentro de área  de mananciais, onde  até o ano passado  estava  proibida  a  construção,  mas  graças  a  Lei  específica  da  Billings  este  problema  não  mais existe  em nosso  Município, este  fato emperrava   a  solução, pois  o  gestor  não  poderia  construir  escolas  nestas regiões, e  a  população  crescendo a cada instante, por  exemplo o grande  Alvarenga. Atualmente o  processo está  na Vara  da  Infância, e o  Sr. Meretíssimo Juíz  está  para determinar  multa  por cada criança  fora da escola.Os casos  de mães  que  buscam  o  Conselho  Tutelar  para  garantia  dos  direitos,  encaminhamos o   ofício  para  a  Secretaria, requisitando  a  vaga,  quando não  atendidos,   encaminhamos para  a  Defensoria  Pública, para  formalização de  processo individual, pois  conforme  já  citamos,  corre  na  Vara  da  Infância um  Processo  Coletivo, já  encaminhado por  este  Conselho, e  a cada período informamos  a  nossa  Promotoria, os casos  de  violação de direitos, para serem  juntados  ao  processo.

Qual a faixa etária das crianças que são protegidas pelo Conselho Tutelar, por terem seus direitos roubados?
A lei considera criança, pessoa até dez anos de idade incompletos, e adolescente até dezoito anos de idade incompletos

Houve caso de famílias incestuosas que chegaram ao conhecimento do Conselho Tutelar? Em caso de afirmativa quais as providencias?
Sim, houve e acontecem casos de famílias incestuosa, quando  chega  ao  Conselho Tutelar, a  primeira  providência é acolher esta família, orientar e normalmente  pela  gravidade  do  fato  é  lavrado  boletim de ocorrência para serem  apurados  o  crime e esta  apuração  cabe  a  autoridade policial,  ao  Conselho  Tutelar cabe  o que  citamos acima,  acolher , orientar, e se  for  o caso  garantir  atendimento  médico de imediato, e encaminhamos   ao   CAISM  -  Centro  de  Proteção Integral  a  Saúde da  mulher,  que  dispõe  do  programa  PAVAS – Programa  de Atendimento  a  Vítimas  de  Abuso  Sexual.

Há casos de crianças de zero a cinco anos que sofrem violência? Em que regiões essa incidência é maior? Essa violência se dá mais com o sexo masculino ou feminino?
Sim existem muitos casos de crianças de zero a cinco anos que sofrem todo tipo de violência, física, psicológica, negligência por parte de genitores etc. Em relação à região,  estes fatos ocorrem nas mais carentes  do  nosso  Município,  como por exemplo  o  Grande  Alvarenga,  com relação  ao sexo  masculino  ou  feminino, não temos  esta  informação,  pois  no    atendimento do  Conselho  Tutelar, não  há  esta  separação por  sexo. 

Com relação ao Sistema de Garantia os Órgãos Juiz de Vara da Infância Promotoria de justiça e Conselho tutelar atuam Juntos? Explique-nos. Se for separados quais são esses Órgãos?
A Vara da Infância e Juventude, a Promotoria de Infância, são órgãos acima do Conselho Tutelar, e são muito importantes dentro do sistema de defesa de direitos de nossas crianças e dos nossos adolescentes. A Vara da Infância, Promotoria e o  Conselho  Tutelar, são órgãos  autônomos, mas precisam atuar  juntos, pois  fazem parte  de  uma  grande rede  de  atendimento  que  entendo e é  nosso  desafio  ver essa  rede  funcionando  perfeitamente,  para  melhor  atendermos  nossas  famílias.
Em nosso Município, o Conselho Tutelar apesar de muitas dificuldade  com  nossa estrutura,  temos  uma relação  muito  respeitosa  com  nosso  Juíz  e  com  nossos  Promotores de  Justiça,  que  estão sempre  disponíveis  para  nos  orientar  nos casos  mais  complexos.     

Fernanda, Jocilete, Karine e Margarida

Silenciados

HISTÓRIA INDÍGENA 

Fonte: http://www.jaumais.com.br/images/noticias/411/indios-brasileiros-13.jp



Os acontecimentos históricos oficiais influenciaram muito na construção de nossa sociedade, mas devemos primeiramente lembrar nossos pertencimentos; por quem e de onde viemos, quem somos hoje e onde pretendemos chegar para que possamos mudar a história ideológica do nosso país.
Valorizar nosso pertencimento faz com que a história continue a ser escrita por nós no momento presente, principalmente porque temos uma diversidade cultural das quais fazemos parte, pois somos seres em constante mudança.
Resgatar nossos princípios e dando voz aos grupos sociais, que não raras vezes foram silenciados, é dar-lhes seu devido espaço. Contudo, a história do povo indígena não poderia cair no esquecimento porque deles temos todo um contexto, da qual devemos valorizar e compartilhar. Sendo assim, apresento uma grande guerreira que tivemos o privilégio de conhecer e que pertence a um povo que faz parte de nossa história.

Fernanda Higashi



Chirley Pankará, coordenadora pedagógica do CECI (Centro de Educação e Cultura Indígena) do povo Guarani de SP, Educadora de Ritmos do Brasil, Conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Mauá, Representante da temática Indígena no Consorcio das Sete Cidades, Pesquisadora do Observatório da Educação  Escolar Indígena, tema de estudo Povos Indígenas no ensino regular de Mauá.(Bolsa CAPES). Conselheira do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI). Meu tema de TCC no curso de Pedagogia – Povos indígenas no livro didático de história do Brasil. 



HISTÓRIA DE CHIRLEY PANKARÁ

Eu me chamo Chirley Pankará, venho de um povo indígena originário da Floresta de Pernambuco, vivo em Mauá /SP, há 12 anos, tenho duas filhas que todo ano visitam a aldeia para preservar a cultura tradicional e os costumes do nosso povo.
Sou neta de rezadeira e parteira, muitas coisas aprendi com ela, como o uso das ervas tradicionais que servem para nossas curas e também ervas que fazem parte de nossos rituais de religiosidade, como é o exemplo da Jurema, tradicional em nossas festividades, ingerida durante a dança tradicional do Toré.
Somos um povo que segue a tradição dos encantados da floresta, acreditando que em algum lugar da mata eles estão nos guiando e nos protegendo.
Nos povos indígenas, consideramos que a vida é circular e não linear, por isso tratamos bem as pessoas, respeitamos e mantemos um laço de amizade e atenção, mesmo com aqueles que não estão muito próximos, pois se a vida é circular, um dia esse circulo volta para o lugar de origem, e com isso a pessoa que recebeu amor te dará amor, e vice versa, assim acreditamos.
Nossa educação é baseada na oralidade e na observação, por isso, é possível ver as meninas fazendo atividades que aprenderam com a mãe, e meninos atividades que aprenderam com o pai. Na aldeia esta parte é separada, meninas aprendem com a mãe enquanto os meninos com o pai, e isso nunca foi visto com discriminação, pois há coisas que as mães explicam com mais propriedade, como é o exemplo da primeira menarca. Para o povo indígena, a educação é dada em casa pela família, na escola ocorre apenas aprimoramento deste conhecimento; A escola não é responsável pelos maus hábitos dos nossos filhos e sim responsável por transformar alunos firmes, participativos agentes e transformadores na sociedade, um cidadão conhecedor dos seus direitos e deveres.
Vivendo em Mauá/SP, muitas coisas aprendi, mas nunca perdi minha identidade, mesmo no contexto urbano é possível manter as raízes, minha família envia da aldeia instrumentos, alimentos, ervas e artesanatos que fortalecem e preservam a cultura do nosso povo. Mesmo distante é possível manter nossos costumes tradicionais; As demais culturas agreguei como interculturalidade, e não como sinônimo da perda de minha nascença.
Em 10 de Março de 2008, o presidente sancionou a LEI 11.645, que versa os conteúdos referentes a história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros que serão ministrados no âmbito de todo currículo escolar,em especial nas áreas de educação artística,literatura e histórias brasileiras.
Esta iniciativa é de suma importância para os povos indígenas que por anos foram esquecidos na história do Brasil e ainda é possível ver erros contidos nos livros didáticos, de 1500 até os dias atuais. Poucos avanços ocorreram e a Lei é um exemplo fundamental que agradecemos imensamente, pois contempla a realidade dos povos, que por seus motivos particulares precisaram sair de suas terras. Eu faço parte desta história, saí da aldeia em busca de melhores condições de vida, visto que a terra era muito seca e não tinha como plantar, aqui estou, esquecida pelas políticas públicas que acreditam que o indígena que sai da aldeia deixa de ser indígena, e esta Lei é a única que nos assegura esse direito, de pelo menos fazer parte da sociedade brasileira, sem sermos chamados de preguiçosos e agressivos, entre outros meios pejorativos.
Precisamos imensamente que os profissionais de Educação nos ajudem com esse tema, que busquem mais formação, e juntos vamos viver em um Brasil melhor, onde somos todos diferentes, e fato de querer que sejamos iguais aos outros, é a pior forma de preconceito.

Chirley Pankará


Esse relato fortalece a ideia deste povo, os indígenas  sempre foram discriminados e excluídos da nossa história e assim sendo, esses continuam a ser participantes da história de nosso país. Ambos que sempre foram deixados a margem da história, como se não fossem sujeitos, quando na verdade sabemos da sua importância, de que estão junto a nós, buscando serem reconhecidos como qualquer outro cidadão brasileiro com seus deveres e também com seus direitos. Direitos que nem sempre foram respeitados, assim podemos citar o caso do índio que foi brutalmente incendiado num ponto de ônibus em Brasília, por pessoas maldosas sem escrúpulo algum, sem nenhum motivo sequer, simplesmente pelo prazer de torturar e tirar a vida de alguém, e o mais grave nesta barbaridade é que as pessoas que fizeram isto são pessoas estudadas e de nível cultural avançado, porém  pobres, desumanos, mesquinhos e sem amor próprio, pelo qual jamais amará o seu próximo.
Apesar de os indígenas serem hoje um povo em número pequeno com relação à população total do Brasil, os mesmos estão em busca de fazer  valer seus direitos, que o governo reconheça e lhes devolvam as terras que o  homem branco teima em invadir e assim destruir a natureza que sempre foi a sua maior riqueza, pra simplesmente beneficiar e favorecer os grandes latifundiários.
O fato é que, felizmente nos últimos anos, os índios vêm se organizando cada vez mais, no sentido de que sejam respeitados, e pouco a pouco estão conseguindo. Muitos estão estudando, chegando ao nível superior de ensino, e assim, saindo do papel de vítima, reivindicando e conquistando o seu espaço e o seu lugar na sociedade.
Como podem perceber no relato da índia Chirley, que é um exemplo de perseverança e vitória, que mesmo alcançando os seus objetivos, não pode desanimar, pois a luta continua. O importante é que cada indivíduo independente da cor, raça ou religião tenha a consciência de que devemos e saibamos respeitar o próximo, e que todos nós temos direitos e deveres a cumprir, que seja feito de maneira ordeira e pacífica, sempre amparados pela lei.

Margarida Maria 




A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA E DOS AFRODESCENDENTES

Fonte:http://www.jonathandasilvasantos.com/2010/03/aos-amigos-do-educafro-muito-obrigado/

 O estudo da história da África e dos afrodescendentes é importante para que se amplie o conceito de cidadania. As políticas e os programas que os negros estão conquistando com  lutas e reivindicações  estão dando abertura as conquistas merecidas por estas classe tão desfavorecidas . Com essas lutas   pretendem-se  que não exista preconceito seja ele de qualquer espécie, o que pregá-se é que sejamos todos iguais em direitos e  deveres, que todos tenhamos os mesmos direitos de vencer enquanto cidadãos e pela igualdade de direitos, citamos a EDUCAFRO como uma entidade que vem conseguindo passo a passo e  graças a muita luta diminuir essa desigualdade e dando voz aqueles que por muito tempo foram  silenciados.
Ela luta incansávelmente para que seja derrubado este estigma da cor, onde se prega o branqueamento da população. Sabemos que não existe raça pura, todos nós temos de alguma forma descendência do povo africano. A EDUCAFRO luta por uma política educacional igualitária, em que todos possam vencer, seja no campo profissional ou pessoal com os mesmos direitos, claro que buscar um lugar de destaque, vai depender do empenho de cada um e isto independente de raça , ou cor depende mesmo é do desejo de cada um lutar e vencer na vida como ser humano  e sentir - se bem. Essa entidade ainda luta por cotas, e que fazem parte de um plano de ações que visam incluir os negros e afrodescendentes dignamente na sociedade.
Aqui mesmo na Universidade Metodista existe uma parceria com a EDUCAFRO, no sentido de contemplar aqueles que não têm condições de pagar uma faculdade na totalidade da mensalidade, concedendo assim aos negros e afrodescendentes que são participantes da entidade referida, bolsa de 50 %, no valor da mensalidade com a condição de que este bolsista faça trabalho voluntário nos cursinhos preparatórios pré-vestibulares nos diversos núcleos espalhados pela grande São Paulo e interior,  ajudando assim outras pessoas  para que também consigam o mesmo beneficio, que nós voluntários atuais.
Dentre os  beneficiarios, nos incluímos (eu) Margarida  e a Karine (minha amiga), se não fosse através da EDUCAFRO não estaríamos aqui cursando Pedagogia, já no 4º semestre e em breve realizando o nosso sonho de nos formarmos pedagogas.  Eu (Margarida)  não consegui realizar este sonho quando na minha juventude, por não ter condições financeiras e também por não existir na época entidades como a EDUCAFRO.
Porém sempre fui perseverante, jamais desisti do meu sonho e sabia que um dia eu conseguiria realizá-lo, só não sabia de que forma, e foi através de uma faixa colocada num campo de futebol próximo de minha casa que tomei conhecimento da existência da Educafro e desde então sou integrante desta entidade e sinto-me orgulhosa em pertencer a mesma, atualmente estou  com 48 anos e prestes a realizar meu sonho, como podem ver nunca é tarde quando se tem um objetivo na vida, assim como eu, minha amiga (Karine) também faz parte da EDUCAFRO a diferença que existe entre nós  é que ela tem apenas 20 anos, no mais não existem diferenças, nos damos muito bem, e nossos pensamentos se completam, somos do núcleo Lennon Marky’s em São Bernardo do Campo, e ajudamos na coordenação do mesmo. Esperamos encaminhar para o próximo ano vários alunos a ingressarem como nós numa universidade. 
Falando um pouco mais sobre a EDUCAFRO esta tem como missão promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de mutirão.
 No conjunto de suas atividades, a EDUCAFRO luta para que o Estado cumpra suas obrigações, através de políticas públicas e ações afirmativas na educação, voltadas para negros e pobres, promoção da diversidade étnica no mercado de trabalho, defesa dos direitos humanos, combate ao racismo e a todas as formas de discriminação.
O objetivo geral da EDUCAFRO é reunir pessoas voluntárias, solidárias e beneficiárias desta causa, que lutam pela inclusão de negros, em especial, e pobres em geral, nas universidades públicas, prioritariamente, ou em uma universidade particular com bolsa de estudos, com a finalidade de possibilitar empedramento e mobilidade social para população pobre e afro-brasileira.
 São objetivos específicos da EDUCAFRO que contribuem para o cumprimento de sua missão: organizar e provocar o surgimento de núcleos de pré-vestibular (novos núcleos) nas periferias de todo Brasil; proporcionar surgimento de novas lideranças e cidadãos conscientes nas comunidades e nas universidades; formação cidadã e acadêmica através das aulas de professores voluntários nos cursinhos comunitários, como também: 

Apresentar propostas de políticas públicas e ações afirmativas aos poderes executivos, legislativo e judiciário;
Difundir princípios e valores que contribuam para a radical
Transformação social do Brasil e Américas, com fundamento no ideário cristão e franciscano;
Despertar nas pessoas a responsabilidade e autonomia na superação de dificuldades  as tornando protagonistas de suas histórias;
Valorizar radicalmente, a organização de grupos sociais;
Popular como instrumento de transformação social e pressão junto ao Estado.




(informações obtidas no site: www.educafro.org.br/)


Margarida Maria

Literatura de Cordel

CONHEÇA A HISTÓRIA DESSA LINGUAGEM POÉTICA






Fonte:http://nordestinospaulistanos.wordpress.com/2010/08/04/avie-e-cordel-e-literatura-e-literatura-e-cordel/



Literatura de Cordel é uma modalidade impressa de poesia, original do Nordeste do Brasil, que já foi muito estigmatizada, mas hoje em dia ela vem conquistando espaço e respeitabilidade, tendo, inclusive, uma Academia Brasileira de Literatura de Cordel. Devido ao linguajar despreocupado, regionalizado e informal, utilizado para a composição dos textos, essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada, e alguns críticos  literários  inclusive  declararam a morte do cordel, mas ainda não foi dessa vez.
A cada dia, os textos são mais valorizados por todo o Brasil e, pelo mundo. Estes são publicados em livretos, fabricados praticamente de forma manual pelo próprio autor. Eles têm geralmente 8 páginas, mas podem ter mais, variando entre 8 e 32. As páginas medem 11x16cm e são comercializadas pelos próprios autores. Há alguns livros publicados, mas no geral a venda acontece dessa maneira. Leandro Gomes de Barros e João Martins de Atahyde são dois dentre os primeiros poetas; e estes já possuem livretos publicados por editoras, sendo vendidos e reeditados constantemente. Não há como contar a quantidade de exemplares, pois a cada tiragem milhares de exemplares são vendidos.
Assim, como muitos itens dos que compõem a nossa cultura, a literatura de cordel não tem uma origem definida pois não há consenso entre os pesquisadores sobre sua  real origem. Os autores das poesias denominam-se trovadores e, geralmente quando as declamam são acompanhados por uma viola, que eles mesmos tocam.
Este tipo de literatura marcou também a cultura francesa, espanhola e portuguesa, através dos trovadores. Estes eram artistas populares que, compunham e apresentavam poesias acompanhadas de viola e, muitas vezes com melodia. Apresentavam-se para o povo e falavam da cultura popular da localidade, dos acontecimentos mais falados nas redondezas, de amor, etc. Assim como no trovadorismo, o movimento literário que abriga essa prática hoje é, a literatura de cordel. Até mesmo as competições entre dois trovadores, com suas violas, é presenciada hoje por nós e, já foi muito praticada nos três países citados, especialmente em Portugal.
No Brasil, prevalece a produção poética, mas em outros locais nota-se a forte presença da prosa. A forma mais frequentemente  utilizada é a redondilha maior, ou seja, o verso de sete sílabas poéticas. A estrofe mais comum é a de seis versos, chamada sextilha. E o esquema de rimas mais comum é ABCBDB.
Os temas são os mais variados, indo desde narrativas tradicionais transmitidas pelo povo oralmente, até aventuras, histórias de amor, humor, ficção, e o folheto de caráter jornalístico, que conta um fato isolado, muitas vezes um boato, modificando-o  para torná-lo divertido. Ao  mesmo tempo  que falam de temas religiosos, também falam de temas profanos. Escrevem de maneira jocosa, mas por vezes, retratam realidades desesperadoras. Uma  outra característica é o uso de recursos textuais como o exagero, os mitos, as lendas, e atualmente o uso de ironia ou sarcasmo, para fazer críticas sociais ou políticas. Usar uma imagem estereotipada como personagem também é muito comum, às vezes criticando a exclusão social e o preconceito, às vezes fazendo uso dos mesmos, através do humor sarcástico. Além dos temas “engajados”, se assim podemos chamá-los, há também cordéis que falam de amor, relacionamentos pessoais, profissionais, cotidiano, personalidades públicas, empresas, cidades, regiões, etc.
Uma das características desse tipo de produção é a manifestação da opinião do autor a respeito de algo, dentro da sua sociedade. Como podemos notar a literatura de Cordel também tem importância na leitura e na escrita em vários aspectos do ensino, haja vista que esta pode ser uma forma considerável que o professor tem para trabalhar a leitura e a escrita, com seus alunos, por ser uma leitura agradável, com seu ritmo poético e, que provoca curiosidade e ao mesmo tempo encantamento, para quem lê. O professor pode trabalhar de diversas formas, por tratar-se de fatos variados e, ressaltando ainda a preservação da cultura brasileira. Nosso primeiro contato com a literatura de cordel foi através de uma oficina que nos foi oferecida pela Universidade, na brinquedoteca, ainda no 1º semestre de 2010 do curso de Pedagogia. Após a inscrição, tivemos a oportunidade de conhecer o cordelista Moreira de Acopiara, uma pessoa maravilhosa e dedicada ao que faz, e foi ele quem nos passou as informações e dicas de como construir um cordel. Foram momentos inesquecíveis para todas nós.  

ALGUNS DE NOSSOS CORDÉIS!


Em nossa aula referente as abordagens criou-se o seguinte cordel: 

Abordagem Tradicional


Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhk8Od-hyiiYVPos1SlWfqZGvQiBRKLV53EvCYJy6Q-4-xFyv4fRnwlzFdu37peWrC1lHB0VUmlVqF9kMdsogGc-kaq9Z0V-ZfPswf8_IHa1PmmrOB4cbjliUiX46Xuf7tryeQYsYWZ9EsW/s1600/melhor+escola+de+ingles.gif


São muitas as abordagens
Que a sala irá apresentar
Porém é sobre a tradicional
Que o nosso grupo irá falar
Tentaremos da melhor maneira
Alguns conhecimentos lhe passar
Cabe ao professor
O conhecimento transmitir
Não é dado ao aluno
A oportunidade de refletir
É dado somente a ele
O conteúdo que ele vai repetir

Esse tipo de abordagem
Não se prática em um só lugar
Se o aluno não adquirir conhecimento
A escola irá lhe reprovar
As provas e os exames são aplicados
Para que possam lhe avaliar
Diante do que vimos nesta abordagem
Devemos parar e pensar
Se é este tipo de ensino
Que praticaremos a nos formar
Se queremos uma educação transformador
Ou simplesmente no tempo parar?

Margarida Maria

Em nossa aula referente a cultura africana criou-se o seguinte cordel:


PRECONCEITO

Fonte: http://inblogs.com.br/media/blogs/censurado/Racismo2.jpg

A ideologia do branqueamento
Teve como objetivo propagar
Que não existem diferenças raciais
Mas não é o que vamos constatar
Sabemos que o preconceito existe
Então por que tentar nos enganar.

Desde a época da colonização
Voltemos lá atrás e vamos nos lembrar
Que a escravidão se fez presente
Branco cabia mandar
E o negro de ponto obedecia
Se não, o chicote ia lhe castigar.

Muitos anos se passaram
E nada de melhorar
Ao negro, somente o mínimo
Branco, coisas pra luxar
Ai vem alguns governantes
Dizer que pela igualdade vai lutar.

Ser negro e pobre, não é vergonha
Mas é isso que vai lhe identificar
Ser negro é ter atitude
É ter postura e revolucionar
É olhar as coisas de frente
Para que todos possa lhe respeitar.

A escola é o local,
Que deveria ensinar,
A respeitar as diferenças
E a todos igualar
Porém, é neste espaço
Que a discriminação vai aflorar.

Trabalhar com as diferenças
É um desafio para o professor
É preciso mostrar as crianças
Que não é para ter temor
E para que isto aconteça
Basta dar uma lição de amor.

Uma escola igual para todos
É quase impossível existe
Porém, cabe aos professores
Uma nova visão construir
Mostrar que além da a diversidade
Tem um universo a descobrir.

O desejo de todos nós
É que o preconceito deixe de existir
Sabemos que é uma grande luta
Mas não podemos desistir
Porque não ousamos somar
Ao invés de dividir.

Margarida Maria



Em nossa visita a uma escola de Ensino Fundamental criou-se o seguinte cordel:

LUTAR PELA EDUCAÇÃO


Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEilYpcWRyaRT7aEYkFgaO4LlZALu_k6A4C8a4SeiRJzx35q1izvlF4JNlPQQGEKozkmmsZ09X-Dn93tE2ZSu_WaPuWwj6y3hzDkS2vQ2SEgBUbZ2PROsn7mJs5UrrydB7w8-rmY0ffipmc5/s1600/educacao1.jpg

E pra não perder o costume
Gostaríamos de dizer
Que o cordel esta em nossas vidas
E não tem como esquecer
A educação é demais importante
Sem ela não é possível viver

Diante das visitas que fizemos
Foi possível nos esclarecer
Muitas dúvidas que tínhamos
Em relação ao saber
É possível mudar está prática
Você só precisa querer.

A escola que escolhemos
Aqui em nossa região
Diz ser comprometida
Para a construção da educação
Não basta ser profissional
Tem que agir com emoção

Tivemos a oportunidade
De algumas aulas assistir
Os professores nos disseram
Amigas! Vocês devem persistir
O caminho não é fácil
Porém nunca pense em desistir

Estão no caminho certo
Com relação á escolha da profissão
Porém para ser professora
É entregar-se de coração
Não basta apenas querer
É uma troca de emoção.

Ser educador não é fácil não
Mas quando se tem vontade
É possível fazer da educação
Um ensino de qualidade
Um saber que cria que transforma
para o bem da humanidade.

Muitas crianças têm dificuldades
de aprenderem á lição
Mas cabe aos professores
Encontrarem uma maneira
Para que elas compreendam
E não abandone a escola não

Ficamos um tanto tristes
Agora faço-lhes uma observação
Verificamos uma professora
Que não se importa com os alunos não
Para ela o que interessa
É apenas a lição.

Porém, a grande maioria
Mostrou-nos toda sinceridade
As professoras que conversamos
Estas sim estão comprometidas
Com o ensino de qualidade.

A diretora nos disse:
Meninas prestem atenção!
São muitos os desafios
Que vocês enfrentarão
Porém, estão no caminho certo
Lutem! Para transformar a educação.

Pois a vida destas crianças
Esta em vossas mãos
Saibam que quando elas crescerem
de vocês se lembrarão
Pois vocês fizeram parte
Do futuro desses cidadãos.

Margarida Maria


ALGUNS CORDELISTAS

PATATIVA DO ASSARÉ

Fonte: http://patativadoassaregm.blogspot.com/

Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956,  Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.

Fonte: http://www.tanto.com.br/Patativa.htm

ABC DO NORDESTE FLAGELADO

A — Ai, como é duro viver  
nos Estados do Nordeste  
quando o nosso Pai Celeste  
não manda a nuvem chover.  
É bem triste a gente ver  
findar o mês de janeiro  
depois findar fevereiro 
e março também passar,  
sem o inverno começar 
no Nordeste brasileiro. 
 
B — Berra o gado impaciente 
reclamando o verde pasto,  
desfigurado e arrasto,  
com o olhar de penitente; 
o fazendeiro, descrente,  
um jeito não pode dar,  
o sol ardente a queimar 
e o vento forte soprando,  
a gente fica pensando 
que o mundo vai se acabar. 

C — Caminhando pelo espaço,  
como os trapos de um lençol,  
pras bandas do pôr do sol,  
as nuvens vão em fracasso: 
aqui e ali um pedaço 
vagando... sempre vagando,  
quem estiver reparando 
faz logo a comparação 
de umas pastas de algodão 
que o vento vai carregando. 

D — De manhã, bem de manhã,  
vem da montanha um agouro 
de gargalhada e de choro 
da feia e triste cauã: 
um bando de ribançã 
pelo espaço a se perder,  
pra de fome não morrer,  
vai atrás de outro lugar,  
e ali só há de voltar,  
um dia, quando chover. 

E — Em tudo se vê mudança 
quem repara vê até 
que o camaleão que é  
verde da cor da esperança,  
com o flagelo que avança,  
muda logo de feição.   
O verde camaleão  
perde a sua cor bonita  
fica de forma esquisita  
que causa admiração. 

F — Foge o prazer da floresta  
o bonito sabiá,  
quando flagelo não há  
cantando se manifesta. 
Durante o inverno faz festa  
gorjeando por esporte,  
mas não chovendo é sem sorte,  
fica sem graça e calado  
o cantor mais afamado  
dos passarinhos do norte. 

G — Geme de dor, se aquebranta  
e dali desaparece,  
o sabiá só parece  
que com a seca se encanta.   
Se outro pássaro canta,  
o coitado não responde;  
ele vai não sei pra onde,  
pois quando o inverno não vem  
com o desgosto que tem  
o pobrezinho se esconde. 

H — Horroroso, feio e mau  
de lá de dentro das grotas,  
manda suas feias notas  
o tristonho bacurau. 
Canta o João corta-pau  
o seu poema funério,  
é muito triste o mistério  
de uma seca no sertão;  
a gente tem impressão 
que o mundo é um cemitério. 

I — Ilusão, prazer, amor,  
a gente sente fugir,  
tudo parece carpir 
tristeza, saudade e dor.   
Nas horas de mais calor,  
se escuta pra todo lado  
o toque desafinado  
da gaita da seriema  
acompanhando o cinema  
no Nordeste flagelado. 

J — Já falei sobre a desgraça  
dos animais do Nordeste;  
com a seca vem a peste  
e a vida fica sem graça.   
Quanto mais dia se passa  
mais a dor se multiplica;  
a mata que já foi rica,  
de tristeza geme e chora.   
Preciso dizer agora  
o povo como é que fica. 

L — Lamento desconsolado  
o coitado camponês  
porque tanto esforço fez,  
mas não lucrou seu roçado.   
Num banco velho, sentado,  
olhando o filho inocente  
e a mulher bem paciente,  
cozinha lá no fogão  
o derradeiro feijão  
que ele guardou pra semente. 

M — Minha boa companheira,  
diz ele, vamos embora,  
e depressa, sem demora  
vende a sua cartucheira.   
Vende a faca, a roçadeira,  
machado, foice e facão;  
vende a pobre habitação,  
galinha, cabra e suíno  
e viajam sem destino  
em cima de um caminhão. 

N — Naquele duro transporte  
sai aquela pobre gente,  
agüentando paciente 
o rigor da triste sorte.   
Levando a saudade forte  
de seu povo e seu lugar,  
sem um nem outro falar,  
vão pensando em sua vida,  
deixando a terra querida,  
para nunca mais voltar. 

O — Outro tem opinião  
de deixar mãe, deixar pai,  
porém para o Sul não vai,  
procura outra direção.   
Vai bater no Maranhão  
onde nunca falta inverno;  
outro com grande consterno  
deixa o casebre e a mobília  
e leva a sua família  
pra construção do governo. 

P - Porém lá na construção,  
o seu viver é grosseiro  
trabalhando o dia inteiro  
de picareta na mão. 
Pra sua manutenção  
chegando dia marcado  
em vez do seu ordenado  
dentro da repartição,  
recebe triste ração,  
farinha e feijão furado. 

Q — Quem quer ver o sofrimento,  
quando há seca no sertão,  
procura uma construção  
e entra no fornecimento. 
Pois, dentro dele o alimento  
que o pobre tem a comer,  
a barriga pode encher,  
porém falta a substância,  
e com esta circunstância,  
começa o povo a morrer. 

R — Raquítica, pálida e doente 
fica a pobre criatura 
e a boca da sepultura  
vai engolindo o inocente.   
Meu Jesus!  Meu Pai Clemente,  
que da humanidade é dono,  
desça de seu alto trono,  
da sua corte celeste  
e venha ver seu Nordeste  
como ele está no abandono. 

S — Sofre o casado e o solteiro  
sofre o velho, sofre o moço,  
não tem janta, nem almoço,  
não tem roupa nem dinheiro.   
Também sofre o fazendeiro  
que de rico perde o nome,  
o desgosto lhe consome,  
vendo o urubu esfomeado,  
puxando a pele do gado  
que morreu de sede e fome. 

T — Tudo sofre e não resiste  
este fardo tão pesado,  
no Nordeste flagelado  
em tudo a tristeza existe.   
Mas a tristeza mais triste  
que faz tudo entristecer,  
é a mãe chorosa, a gemer,  
lágrimas dos olhos correndo,  
vendo seu filho dizendo:  
mamãe, eu quero morrer! 

U — Um é ver, outro é contar  
quem for reparar de perto  
aquele mundo deserto,  
dá vontade de chorar. 
Ali só fica a teimar  
o juazeiro copado,  
o resto é tudo pelado  
da chapada ao tabuleiro  
onde o famoso vaqueiro  
cantava tangendo o gado. 

V — Vivendo em grande maltrato,  
a abelha zumbindo voa,  
sem direção, sempre à toa,  
por causa do desacato.  
À procura de um regato,  
de um jardim ou de um pomar  
sem um momento parar,  
vagando constantemente,  
sem encontrar, a inocente,  
uma flor para pousar. 

X — Xexéu, pássaro que mora  
na grande árvore copada,  
vendo a floresta arrasada,  
bate as asas, vai embora.   
Somente o saguim demora,  
pulando a fazer careta;  
na mata tingida e preta,  
tudo é aflição e pranto;  
só por milagre de um santo,  
se encontra uma borboleta. 

Z — Zangado contra o sertão  
dardeja o sol inclemente,  
cada dia mais ardente  
tostando a face do chão.   
E, mostrando compaixão  
lá do infinito estrelado,  
pura, limpa, sem pecado  
de noite a lua derrama  
um banho de luz no drama  
do Nordeste flagelado.
Patativa do Assaré

Fonte: http://www.tanto.com.br/patativa-abc.htm



MOREIRA DE ACOPIARA

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/noticias/?p=6540

Moreira de Acopiara é como Manoel Moreira Júnior assina seus trabalhos. Nasceu em Acopiara, sertão central do Ceará, em 1961, e escreveu seus primeiros versos aos treze anos, influenciado pelos mestres da literatura de cordel e pelos cantadores repentistas. Publicou mais de cem cordéis e vários livros. Gravou dois CDs e desde 2004 faz parte da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC).

Fonte:http://www.dunadueto.com.br/website/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=64&Itemid=142

TRECHO DO CORDEL EU MADALENA: MUITA HISTÓRIA PRA CONTAR

Vou daqui direto para
O sertão do Ceará.
Não ficou bem certo, mas
Talvez a traga pra cá
Ou me estabeleça e fique
Com Madelena por lá.

Moreira de Acopiara