sábado, 15 de outubro de 2011

Silenciados

HISTÓRIA INDÍGENA 

Fonte: http://www.jaumais.com.br/images/noticias/411/indios-brasileiros-13.jp



Os acontecimentos históricos oficiais influenciaram muito na construção de nossa sociedade, mas devemos primeiramente lembrar nossos pertencimentos; por quem e de onde viemos, quem somos hoje e onde pretendemos chegar para que possamos mudar a história ideológica do nosso país.
Valorizar nosso pertencimento faz com que a história continue a ser escrita por nós no momento presente, principalmente porque temos uma diversidade cultural das quais fazemos parte, pois somos seres em constante mudança.
Resgatar nossos princípios e dando voz aos grupos sociais, que não raras vezes foram silenciados, é dar-lhes seu devido espaço. Contudo, a história do povo indígena não poderia cair no esquecimento porque deles temos todo um contexto, da qual devemos valorizar e compartilhar. Sendo assim, apresento uma grande guerreira que tivemos o privilégio de conhecer e que pertence a um povo que faz parte de nossa história.

Fernanda Higashi



Chirley Pankará, coordenadora pedagógica do CECI (Centro de Educação e Cultura Indígena) do povo Guarani de SP, Educadora de Ritmos do Brasil, Conselheira do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – Mauá, Representante da temática Indígena no Consorcio das Sete Cidades, Pesquisadora do Observatório da Educação  Escolar Indígena, tema de estudo Povos Indígenas no ensino regular de Mauá.(Bolsa CAPES). Conselheira do Conselho Nacional de Mulheres Indígenas (CONAMI). Meu tema de TCC no curso de Pedagogia – Povos indígenas no livro didático de história do Brasil. 



HISTÓRIA DE CHIRLEY PANKARÁ

Eu me chamo Chirley Pankará, venho de um povo indígena originário da Floresta de Pernambuco, vivo em Mauá /SP, há 12 anos, tenho duas filhas que todo ano visitam a aldeia para preservar a cultura tradicional e os costumes do nosso povo.
Sou neta de rezadeira e parteira, muitas coisas aprendi com ela, como o uso das ervas tradicionais que servem para nossas curas e também ervas que fazem parte de nossos rituais de religiosidade, como é o exemplo da Jurema, tradicional em nossas festividades, ingerida durante a dança tradicional do Toré.
Somos um povo que segue a tradição dos encantados da floresta, acreditando que em algum lugar da mata eles estão nos guiando e nos protegendo.
Nos povos indígenas, consideramos que a vida é circular e não linear, por isso tratamos bem as pessoas, respeitamos e mantemos um laço de amizade e atenção, mesmo com aqueles que não estão muito próximos, pois se a vida é circular, um dia esse circulo volta para o lugar de origem, e com isso a pessoa que recebeu amor te dará amor, e vice versa, assim acreditamos.
Nossa educação é baseada na oralidade e na observação, por isso, é possível ver as meninas fazendo atividades que aprenderam com a mãe, e meninos atividades que aprenderam com o pai. Na aldeia esta parte é separada, meninas aprendem com a mãe enquanto os meninos com o pai, e isso nunca foi visto com discriminação, pois há coisas que as mães explicam com mais propriedade, como é o exemplo da primeira menarca. Para o povo indígena, a educação é dada em casa pela família, na escola ocorre apenas aprimoramento deste conhecimento; A escola não é responsável pelos maus hábitos dos nossos filhos e sim responsável por transformar alunos firmes, participativos agentes e transformadores na sociedade, um cidadão conhecedor dos seus direitos e deveres.
Vivendo em Mauá/SP, muitas coisas aprendi, mas nunca perdi minha identidade, mesmo no contexto urbano é possível manter as raízes, minha família envia da aldeia instrumentos, alimentos, ervas e artesanatos que fortalecem e preservam a cultura do nosso povo. Mesmo distante é possível manter nossos costumes tradicionais; As demais culturas agreguei como interculturalidade, e não como sinônimo da perda de minha nascença.
Em 10 de Março de 2008, o presidente sancionou a LEI 11.645, que versa os conteúdos referentes a história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros que serão ministrados no âmbito de todo currículo escolar,em especial nas áreas de educação artística,literatura e histórias brasileiras.
Esta iniciativa é de suma importância para os povos indígenas que por anos foram esquecidos na história do Brasil e ainda é possível ver erros contidos nos livros didáticos, de 1500 até os dias atuais. Poucos avanços ocorreram e a Lei é um exemplo fundamental que agradecemos imensamente, pois contempla a realidade dos povos, que por seus motivos particulares precisaram sair de suas terras. Eu faço parte desta história, saí da aldeia em busca de melhores condições de vida, visto que a terra era muito seca e não tinha como plantar, aqui estou, esquecida pelas políticas públicas que acreditam que o indígena que sai da aldeia deixa de ser indígena, e esta Lei é a única que nos assegura esse direito, de pelo menos fazer parte da sociedade brasileira, sem sermos chamados de preguiçosos e agressivos, entre outros meios pejorativos.
Precisamos imensamente que os profissionais de Educação nos ajudem com esse tema, que busquem mais formação, e juntos vamos viver em um Brasil melhor, onde somos todos diferentes, e fato de querer que sejamos iguais aos outros, é a pior forma de preconceito.

Chirley Pankará


Esse relato fortalece a ideia deste povo, os indígenas  sempre foram discriminados e excluídos da nossa história e assim sendo, esses continuam a ser participantes da história de nosso país. Ambos que sempre foram deixados a margem da história, como se não fossem sujeitos, quando na verdade sabemos da sua importância, de que estão junto a nós, buscando serem reconhecidos como qualquer outro cidadão brasileiro com seus deveres e também com seus direitos. Direitos que nem sempre foram respeitados, assim podemos citar o caso do índio que foi brutalmente incendiado num ponto de ônibus em Brasília, por pessoas maldosas sem escrúpulo algum, sem nenhum motivo sequer, simplesmente pelo prazer de torturar e tirar a vida de alguém, e o mais grave nesta barbaridade é que as pessoas que fizeram isto são pessoas estudadas e de nível cultural avançado, porém  pobres, desumanos, mesquinhos e sem amor próprio, pelo qual jamais amará o seu próximo.
Apesar de os indígenas serem hoje um povo em número pequeno com relação à população total do Brasil, os mesmos estão em busca de fazer  valer seus direitos, que o governo reconheça e lhes devolvam as terras que o  homem branco teima em invadir e assim destruir a natureza que sempre foi a sua maior riqueza, pra simplesmente beneficiar e favorecer os grandes latifundiários.
O fato é que, felizmente nos últimos anos, os índios vêm se organizando cada vez mais, no sentido de que sejam respeitados, e pouco a pouco estão conseguindo. Muitos estão estudando, chegando ao nível superior de ensino, e assim, saindo do papel de vítima, reivindicando e conquistando o seu espaço e o seu lugar na sociedade.
Como podem perceber no relato da índia Chirley, que é um exemplo de perseverança e vitória, que mesmo alcançando os seus objetivos, não pode desanimar, pois a luta continua. O importante é que cada indivíduo independente da cor, raça ou religião tenha a consciência de que devemos e saibamos respeitar o próximo, e que todos nós temos direitos e deveres a cumprir, que seja feito de maneira ordeira e pacífica, sempre amparados pela lei.

Margarida Maria 




A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO DA HISTÓRIA DA ÁFRICA E DOS AFRODESCENDENTES

Fonte:http://www.jonathandasilvasantos.com/2010/03/aos-amigos-do-educafro-muito-obrigado/

 O estudo da história da África e dos afrodescendentes é importante para que se amplie o conceito de cidadania. As políticas e os programas que os negros estão conquistando com  lutas e reivindicações  estão dando abertura as conquistas merecidas por estas classe tão desfavorecidas . Com essas lutas   pretendem-se  que não exista preconceito seja ele de qualquer espécie, o que pregá-se é que sejamos todos iguais em direitos e  deveres, que todos tenhamos os mesmos direitos de vencer enquanto cidadãos e pela igualdade de direitos, citamos a EDUCAFRO como uma entidade que vem conseguindo passo a passo e  graças a muita luta diminuir essa desigualdade e dando voz aqueles que por muito tempo foram  silenciados.
Ela luta incansávelmente para que seja derrubado este estigma da cor, onde se prega o branqueamento da população. Sabemos que não existe raça pura, todos nós temos de alguma forma descendência do povo africano. A EDUCAFRO luta por uma política educacional igualitária, em que todos possam vencer, seja no campo profissional ou pessoal com os mesmos direitos, claro que buscar um lugar de destaque, vai depender do empenho de cada um e isto independente de raça , ou cor depende mesmo é do desejo de cada um lutar e vencer na vida como ser humano  e sentir - se bem. Essa entidade ainda luta por cotas, e que fazem parte de um plano de ações que visam incluir os negros e afrodescendentes dignamente na sociedade.
Aqui mesmo na Universidade Metodista existe uma parceria com a EDUCAFRO, no sentido de contemplar aqueles que não têm condições de pagar uma faculdade na totalidade da mensalidade, concedendo assim aos negros e afrodescendentes que são participantes da entidade referida, bolsa de 50 %, no valor da mensalidade com a condição de que este bolsista faça trabalho voluntário nos cursinhos preparatórios pré-vestibulares nos diversos núcleos espalhados pela grande São Paulo e interior,  ajudando assim outras pessoas  para que também consigam o mesmo beneficio, que nós voluntários atuais.
Dentre os  beneficiarios, nos incluímos (eu) Margarida  e a Karine (minha amiga), se não fosse através da EDUCAFRO não estaríamos aqui cursando Pedagogia, já no 4º semestre e em breve realizando o nosso sonho de nos formarmos pedagogas.  Eu (Margarida)  não consegui realizar este sonho quando na minha juventude, por não ter condições financeiras e também por não existir na época entidades como a EDUCAFRO.
Porém sempre fui perseverante, jamais desisti do meu sonho e sabia que um dia eu conseguiria realizá-lo, só não sabia de que forma, e foi através de uma faixa colocada num campo de futebol próximo de minha casa que tomei conhecimento da existência da Educafro e desde então sou integrante desta entidade e sinto-me orgulhosa em pertencer a mesma, atualmente estou  com 48 anos e prestes a realizar meu sonho, como podem ver nunca é tarde quando se tem um objetivo na vida, assim como eu, minha amiga (Karine) também faz parte da EDUCAFRO a diferença que existe entre nós  é que ela tem apenas 20 anos, no mais não existem diferenças, nos damos muito bem, e nossos pensamentos se completam, somos do núcleo Lennon Marky’s em São Bernardo do Campo, e ajudamos na coordenação do mesmo. Esperamos encaminhar para o próximo ano vários alunos a ingressarem como nós numa universidade. 
Falando um pouco mais sobre a EDUCAFRO esta tem como missão promover a inclusão da população negra (em especial) e pobre (em geral), nas universidades públicas e particulares com bolsa de estudos, através do serviço de seus voluntários/as nos núcleos de pré-vestibular comunitários e setores da sua Sede Nacional, em forma de mutirão.
 No conjunto de suas atividades, a EDUCAFRO luta para que o Estado cumpra suas obrigações, através de políticas públicas e ações afirmativas na educação, voltadas para negros e pobres, promoção da diversidade étnica no mercado de trabalho, defesa dos direitos humanos, combate ao racismo e a todas as formas de discriminação.
O objetivo geral da EDUCAFRO é reunir pessoas voluntárias, solidárias e beneficiárias desta causa, que lutam pela inclusão de negros, em especial, e pobres em geral, nas universidades públicas, prioritariamente, ou em uma universidade particular com bolsa de estudos, com a finalidade de possibilitar empedramento e mobilidade social para população pobre e afro-brasileira.
 São objetivos específicos da EDUCAFRO que contribuem para o cumprimento de sua missão: organizar e provocar o surgimento de núcleos de pré-vestibular (novos núcleos) nas periferias de todo Brasil; proporcionar surgimento de novas lideranças e cidadãos conscientes nas comunidades e nas universidades; formação cidadã e acadêmica através das aulas de professores voluntários nos cursinhos comunitários, como também: 

Apresentar propostas de políticas públicas e ações afirmativas aos poderes executivos, legislativo e judiciário;
Difundir princípios e valores que contribuam para a radical
Transformação social do Brasil e Américas, com fundamento no ideário cristão e franciscano;
Despertar nas pessoas a responsabilidade e autonomia na superação de dificuldades  as tornando protagonistas de suas histórias;
Valorizar radicalmente, a organização de grupos sociais;
Popular como instrumento de transformação social e pressão junto ao Estado.




(informações obtidas no site: www.educafro.org.br/)


Margarida Maria

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